Tempo de repensar o Avaí

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Enquanto o Avaí não confirma e nem desconfirma o acesso para a série A, e ainda com uma semana sem a bola rolar, sobre tempo para refletirmos o clube que temos e o que queremos para amanhã. Nesse contexto, ontem aconteceu um bom debate na Comunidade do Campeonato Catarinense (aqui) onde o blogueiro Jean Sandrini, de Chapecó, questionou se com a má gestão do clube nos últimos anos, o Avaí corria o risco de ter como única motivação daqui para frente, os jogos contra o rival.
Não tenho dúvidas que um clube com 500 mil torcedores, com o melhor estádio de SC, situado na Capital do estado e sob os holofotes da imprensa que monopoliza a informações dos catarinenses, terá que ralar muito (às avessas) para ver sua razão de existir resumida a vencer o rival. Mas é um questionamento pertinente e que precisa fazer parte da pauta dos que comandam o futebol azurra.
No meu comentário nesse tópico, lembrei que todo esse patrimônio físico e institucional não pode ser visto como um cheque em branco para o futuro do Avaí. De concreto temos uma única alegria para festejar nestes últimos quatro anos: a conquista do Estadual de 2012, quando a diretoria já havia jogado a toalha e economizado com treinador, trazendo da base um tal de Hemerson Maria, morador do Procasa. Fora isso, a cada temporada vai-se confirmando que o Avaí é um clube legitimamente de série B, o que independe de nossas opiniões pessoais, pois os fatos estão aí a nos estapear.
Foto Ricardo Duarte
Fala-se irresponsavelmente numa arena para 30 mil pessoas enquanto nossa média de público mal chega aos quatro mil por jogo. Poucos lembram que no primeiro semestre o Avaí chegou a estar na zona de rebaixamento quando disputava o hexagonal da morte. Os 12 mil sócios de ontem se resumem a cinco mil abnegados de hoje. Patrocinar a camisa do mais vezes campeão do Estado, quem quer?
O  mundo mudou, o mercado consumidor mudou, as relações comerciais já não se baseiam em potencial de vendas, mas em vendas efetivas para o agora. Nesse momento, o que a marca Avaí venderia bem? Quem empresa pensa em vincular seu nome a um time que não vence e se especializou em demonstrar fraquezas infantis nas retas de chegadas dos campeonatos que participa? Me preocupa as dificuldades do pessoal do Departamento de Marketing do Avaí, que se não tem um bom "produto" para oferecer nem para o torcedor, quanto mais para o empresariado.
Sim, é preciso repensar o Avaí. A temporada de 2015 ainda nem começou e teoricamente já chegamos como a 5ª força do Estado. Pouco dinheiro, pouca potência, dizem, até porque são os próprios dirigentes que alegam razões financeiras para seus insucessos. Capacidade administrativa, criatividade, profissionalismo, nada disso parece pesar na balança. E se o que conta é saldo bancário, sim, hoje o Leão da Ilha está atrás de outros quatro adversários catarinenses.
Não vejo motivos para desespero, de forma alguma, mas há motivos para pré-ocupação. Me causa desconforto lembrar que dos 914 eleitores que votaram na última eleição para o Conselho Deliberativo, havia apenas um jovem com 18 anos de idade. Também me preocupa que na sala de aula de minha filha, com 28 alunos, apenas ela e mais dois sejam torcedores do Avaí.
Mas como futebol é resultado, se Geninho e cia conquistarem o acesso, esse post entrará automaticamente no seleto grupo dos mais sem noção das redes sociais avaianas em 2015. Toca.

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