Catarinenses com R$100 milhões em caixa

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Luís Augusto Símon para o UOL - "Com quatro times na Série A do Brasileiro e um na Série B, Santa Catarina terá um aporte financeiro  apenas de cotas de televisão, em torno de R$ 100 milhões em 2015. Se você está surpreso com a força do futebol catarinense, que ficou de 2003 a 2013 com um ou dois times - Criciúma, Figueirense e Avaí na Série A - saiba que os planos são muito maiores.
(...) "Esse valor é muito importante para o estado. Faz girar a economia, há contratações em hotéis e os clubes podem melhorar ainda mais", diz Delfim Peixoto. E há outra bala na agulha. "O Metropolitano de Blumenau tem um trabalho muito bom. Tem chance de ser campeão catarinense e já bateu três vezes na trave para chegar na Série C. É um clube bem estruturado e terá acessos contínuos".
O número de clubes competitivos é uma das forças de Santa Catarina. Desde 2003, o estado teve cinco clubes diferentes na Série A. Apenas São Paulo, com dez clubes, o supera.  Santa Catarina está a frente do Rio e de Minas, com quatro e Rio Grande do Sul, com três representantes. Todo o Nordeste teve oito representantes (..).
A Chapecoense chegou à Série D em 2009. Foi campeão. Em 2010, houve problemas e o time quase caiu para a segunda catarinense. Aí, engrenou: em 2012, subiu para a B e em 2013, para a série A. "Aqui não tem 'loucuragem', não se contrata figurão e não se paga salários astronômicos. O mês tem 30 dias, o que é um chamariz no futebol brasileiro", diz o presidente. O teto salarial é de R$ 80 mil. A folha total é de R$ 1,5 milhão. "Quando a gente estava na B, o maior salário era de R$ 25 mil e a folha chegava a R$ 500 mil. Nossa cota aumentou muito e não torramos tudo. Os gastos aumentaram menos do que nossas receitas", explica o presidente Sandro Pallaoro (..).
Nereu Martinelli, presidente do Joinville, aponta a gestão empresarial como a razão do sucesso catarinense. "Enquanto ninguém falava de nós, construímos um centro de treinamentos, passamos a dar alimentação adequada e balanceada aos jogadores, os campos ficaram ótimos, há ótima fisiologia e DM de qualidade. Passamos a ter uma boa categoria de base. Aqui, é 70% gestão e 30% emoção porque ninguém vive sem emoção". (...) O clube não deve a ninguém. Nem aos jogadores. "Nosso prêmio era de R$ 700 mil pelo acesso e mais R$ 300 mil pelo título. Todo mundo já recebeu. Temos R$ 380 mil de patrocínio mensal e estamos negociando com um patrocinador máster. E no catarinense, teremos 14 meninos da base jogando. É como um laboratório para a Série A", diz o presidente.
O Avaí sonha com a sul-americana em 2016, mas ficará feliz em manter-se na Série A. "Não adianta ficar imaginando o que não se consegue. O jeito é trabalhar com teto salarial enxuto e jogadores de caráter. Não aceitamos mercenários e queremos jogadores que sonhem em crescer." O acesso só veio na última rodada, com uma série de resultados. "Nosso planejamento era para que fosse mais fácil, mas tivemos problemas financeiros que estamos resolvendo. Subimos para ficar", diz o presidente.
Todos os entrevistados falam em uma mudança de pensamento dos dirigentes do futebol catarinense. "Ninguém mais torce para o outro cair. Se tivermos mais representantes, ficamos mais fortes individualmente", repetem, com uma outra diferença de enfoque. Unidos e com dinheiro, não aceitam ser ioiô. São quatro, têm certeza que serão cinco e sonham com o sexto elemento"."

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