O "paitrocínio" vai acabar

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Por Erich Beting, jornalista da Máquina do Esporte - "Com mais dinheiro, ter o próprio “Ronaldo'' passou a ser fácil. Os clubes, então, começaram a buscar no exterior um craque já perto do fim de carreira. O raciocínio era o mesmo que motivou o Corinthians lá atrás. Contratação de peso gera a atração da mídia e da torcida. Isso leva o patrocinador a nos procurar e, claro, mais dinheiro vai entrar nos cofres. O problema é que só existe um Ronaldo, assim como, depois do contrato individual de TV, praticamente só existem Corinthians e Flamengo para a Globo exibir na TV aberta…
O cenário em 2011 estava longe de ser o mesmo de 2009. A economia já não ia tão bem. A classe C, endividada, já reduzia o furor das compras. As empresas tinham de rever, para baixo, seus orçamentos. Os valores dos clubes, ainda no alto, não seduziam mais os patrocinadores de ocasião.
Só que, turbinados pela Globo, os clubes gastaram o que  tinham disponível e, também, o que viria pela frente. Contratações acertadas, mas caras, como a de Seedorf no Botafogo, ou completamente desastradas, como a de Carlos Eduardo, no Flamengo, refletem bem essa realidade. Os jogadores que vieram simplesmente não se pagavam. Nem por patrocínio, nem pela mídia.
Nos últimos dois anos, a Globo foi o “bombeiro'' de boa parte dos clubes. Sem patrocínio, eles foram bater na porta da TV para pedir adiantamentos de contratos. No malabarismo, conseguiram manter seus “craques'' e alimentar uma falsa solvência financeira. Ano após ano, os balanços financeiros têm se encerrado no vermelho, mas os clubes continuam contratando e propondo salários astronômicos para seus atletas.
O que mudou agora?
A Globo fechou a torneira. Por uma determinação da alta cúpula da emissora, não se adianta mais nenhum centavo para os clubes. Como a maioria deles não tem patrocínio ou vive de aporte da Caixa, não dá mais para buscar os outros parceiros para manter o caixa funcionando.
O problema é que os dirigentes não conseguiram acompanhar a lógica do mercado nesses anos. Seguem achando que o patrocínio valerá R$ 20 milhões, quando as empresas estarão propensas a investir, no máximo, metade disso num patrocínio máster de camisa. A diferença, agora, é que acabou o “paitrocínio''. Não há mais um bombeiro apagando o incêndio com adiantamento de dinheiro.
O ano de 2015 pode ser essencial para ensinar aos clubes a importância de diversificar as fontes de receita, de não depender só da TV e, mais importante, de baixar a bola e compreender qual o real valor de suas marcas. O maior risco que existe é o refinanciamento das dívidas ser aprovado em Brasília e, dessa forma, os clubes terem um alento de empurrar para debaixo das asas do governo a incompetência dos últimos anos na gestão de suas marcas.
O futebol chegou na beira do precipício. E, o que é pior, ele está vendado. Resta saber se ele saberá tirar a venda dos olhos e mirar o horizonte do longo prazo ou terá de esperar alguém chegar lá para recolocá-lo andando sem risco, mas para trás…"

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