Os clubes brasileiros não se planejam

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Lucas Amorim para EXAME - "Em 2013, o Santos vendeu Neymar, o maior jogador brasileiro dos últimos anos, ao Barcelona. Nos quatro anos anteriores, graças a Neymar e a um intenso investimento em marketing, o clube havia quase triplicado seu faturamento anual, de R$ 70 milhões para R$ 198 milhões. Com uma nova leva de torcedores e dinheiro em caixa, as perspectivas eram animadoras.
No início de 2015, com quatro meses de salários atrasados, o Santos perdeu alguns de seus principais jogadores, como o centroavante Leandro Damião, agora no Cruzeiro. Outros, como o volante Arouca, lutam na justiça para deixar o clube. Sem dinheiro para grandes contratações, o clube se dedica a contratar veteranos como o meia Elano, que estava na Índia.
A pergunta que os torcedores e adversários se fazem é: como a situação do Santos pode ter mudado tanto em menos de 24 meses? A explicação, segundo estudo do consultor Amir Somoggi, está no mais absoluto descontrole dos gastos. Assim como 90% dos clubes no Brasil, o Santos correu para gastar rapidamente o dinheiro extra que entrou com Neymar.
O custo com o departamento de futebol passou de 68 milhões de reais, em 2009, para 168 milhões de reais em 2013. No período, o clube conquistou título importantes, como a Libertadores, mas viu a dívida passar de 181 milhões de reais para 297 milhões - até a metade de 2014, havia subido mais um tanto, para 346 milhões. "É um exemplo de como os clubes brasileiros não se planejam para o longo prazo. Os custos sobem junto com a receita. O problema é que, quando os craques saem, o custo se mantém (...)".

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