O desabafo de Chico Lins

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"Havia comentado com alguns amigos que eu sairia do Twitter esse ano, mas diante dos últimos acontecimentos, sou obrigado a me manifestar. Nunca fui de fugir das minhas responsabilidades, mas também nunca fui covarde de acusar pessoas para tentar me livrar de uma situação.
O momento do Avaí é delicado porque não estamos conseguindo bons resultados dentro de campo e também pelo erro feito no registro do Antônio. Sobre o erro, realmente foi inadmissível, mas lembro que foi um erro humano, que qualquer um de nós pode cometer. Ninguém matou ou roubou.
Estive de licença médica do dia 4 de janeiro ao dia 6 de fevereiro, e embora não tivesse no clube, não vou me isentar de responsabilidade. Licença médica, não. Usei as férias que o clube me devia para o Avaí não me pagar sem trabalhar. Passei minhas férias dentro de um hospital.
Estou e estarei ao lado de todos os possíveis envolvidos no caso porque sei a retidão e o caráter de todos eles. Foi uma falha humana. Gostaria que eu tivesse a culpa sozinho, pois levantaria a mão e pediria desculpas, por mais que desculpas nessas horas não adiantem muito.
Faço uma pequena comparação do dia 12/dez/2013, dia que entrei no Avaí, e os dias de hoje. Dezembro de 2013. Avaí na Série B, sem muitas perspectivas, salários atrasados, com sérios problemas econômicos, e com a auto estima afetada. Montamos um time limitado por causa da questão econômica, e tivemos muitas dificuldades no campeonato estadual. Fomos muito mal mesmo.
Jogadores não queriam vir porque sabiam dos salários atrasados. Tentamos muitas apostas, que não vingaram, e alguns jogadores mais rodados. O ano foi arrastado e sempre convivendo com o fantasma da falta de dinheiro e com a decepção de não ter conseguido o acesso em 2103.
Conseguimos superar as dificuldades com o trabalho da Diretoria, do Conselho, da Comissão Técnica e dos jogadores, que nunca baixaram os braços. Tivemos o recurso do terreno e o Presidente, que poderia jogar para a torcida e contratar atletas, foi responsável. Pagou todos os atrasados. Conseguimos o que a maioria das pessoas não acreditava. O acesso chegou depois de uma última rodada para morrer de infarte, mas conseguimos!
Hoje o Avaí está na Série A, com salários em dia, com as dívidas trabalhistas equacionadas e sendo pagas. E nenhuma ação desde 2013. A administração é transparente, com pessoas sérias, que erram mas sempre tentando acertar. Acho que o saldo dessa gestão é positivo.
Tenho uma vida inteira no esporte. 16 anos como profissional de Futsal, 10 anos como dirigente de vôlei e estou no meu quinto ano no futebol. Ganhei muitas coisas, e perdi também. Acertei muito, e cometi erros que até hoje eu não me perdoo. Mas consegui ser respeitado.
Usei o Twitter para coisas pessoais, mas também para tentar criar uma canal de comunicação mais próximo com os torcedores. Com 90% dos torcedores, tanto de Avaí como do Figueirense, mantive um alto grau de respeito. Não me arrependo de nada que escrevi aqui. Não usei para atacar pessoas e nem para criar polêmicas ridículas para ser notado. Usei para debater, sempre respeitando opiniões.
É uma pena ter que sair. E não saio por causa desse momento ruim. Saio porque absorvo demais as coisas e isso não faz bem para a minha saúde. Algumas pessoas pedem a minha saída do Avai. Digo que elas não estão sozinhas. Meus pais, meus filhos e minha namorada também pedem.
Fiquei em 2015, apesar dos meus problemas, porque achava que merecia, depois de ter lutado tanto para conseguir o acesso. Mas no futebol o que é passado, passado está. Tenho muito orgulho de estar há cinco anos no futebol e ter participado de dois acessos. E o mais difícil! Ser respeitado pela grande maioria dos torcedores dos dois times da capital.
Tenho muito orgulho de mim e da minha carreira. Para aquele personagem que tem obsessão por mim, que Deus lhe dê saúde, já que não lhe deu talento, carisma, inteligência, estrela e sorte.
Não sei se continuarei muito tempo no Avaí, mas a minha sala na Ressacada está aberta o tempo todo. Quem quiser conversar, será bem recebido. É uma pena interromper isso. Amigos da Espanha, do vôlei, do salão, do futebol, da imprensa, amigos que fiz na vida e que reencontrei aqui. Quem sabe um dia, depois de sair dessa loucura do futebol, eu possa voltar e discutir política e futebol, falar de música, falar besteira... Um abraço a todos.
Sou de Florianópolis, e certamente nos encontraremos pelas ruas e pessoalmente, que convenhamos, é bem melhor!" Chico Lins, Coordenador de Futebol do Avaí, via Twitter. Foto Cristiano Estrela / RBS

Um comentário:

E M Í D I O J R. disse...

Eu sou fã desse cara...e amigo!! #Orgulho

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