Os estragos da "política pés no chão"

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Após uma rápida googada na internet descobri o conceito de imagem mental, que seria a habilidade que a mente humana possui de imaginar sons, imagens, dentre outras coisas, que não estão presentes na hora que você está imaginando. Essas percepções podem ter todas as características que a realidade material tem e acredita-se que não seja algo que só o ser humano possua.
Procurei por essa expressão para expor o que vem à mente todas as vezes que ouço o jargão "política pés no chão". Não importa quem a pronuncie, sempre imagino que um grande prejuízo está a caminho. A razão desse pré-conceito se deve ao jornalista e escritor Ivan Lessa (1935 - 2012), que certa vez disse que “O brasileiro tem os dois pés no chão… e as duas mãos também.”, e a observação de algumas consequências bem comuns desse modelo barato de agir, por assim dizer.
Chego a Nilton Macedo, que faz uma gestão capenga desde que assumiu o clube no final de 2013, o que ainda não lhe permitiu resultados à lá ISO 9001. Lutando pelo segundo ano consecutivo contra o rebaixamento em SC, foi salvo pela incompetência de América/MG, Boa Esporte e Atlético/GO, o que garantiu o acesso à série A junto com os cerca de R$ 22 milhões de cotas de TV.
Voltando um pouco mais no tempo, a parte "deixa comigo" do acesso só foi possível graças aos R$ 8 milhões do Estado pela desapropriação de um terreno da Resssacada (sim, o patrimônio diminuiu), o que fez naufragar a crise que descambaria na paralisação do elenco na reta final da série B.
Não vamos repetir todas as promessas não cumpridas pelo dirigente azurra, já por demais comentadas aqui nesse espaço, e nem as suas consequências. Se o Avaí é hoje um dos únicos clubes brasileiros a não ver a cor do dinheiro de um patrocínio master há mais de um ano, tenham certeza que isso não é por acaso. Falta de credibilidade comercial é uma das boas respostas.
A "política pés no chão" apregoada no início dessa administração não tem alcançado sucesso. Muito pelo contrário, nivelou o Avaí por baixo, tanto em resultados práticos, como no entusiasmo dos torcedores, investidores e colaboradores em geral. É uma reação em cadeia por privilegiar a saúde financeira sem a contrapartida da formação de um plantel com um mínimo de qualidade.
O conjugado de todos estes equívocos é uma instituição com um péssimo custo benefício: nunca se gastou tanto, com tantas pessoas e com resultados tão ruins. A parte boa dessa situação é que ainda estamos em março. A parte ruim é que já estamos em março. Vamos recomeçar direito?

2 comentários:

Pablo Antony disse...

Deu uma vontade de assistir um jogo do Avaí hoje! #SQN

Gilberto disse...

A conclusão, incontestável, dessa situação é uma só: os caras não entendem de futebol. E acham que sanear as dívidas do clube é NECESSARIAMENTE a coisa mais importante a ser feita. Pode até ser, mas não necessariamente é. No caso do Avaí, sanear as dívidas é fundamental, ainda que o protagonista tenha deixado um "legado inestimável", nas palavras do atual presidente. Mas conquistar o Estadual, este sim, deveria ser o principal objetivo da Diretoria.

O problema é que a Diretoria quer fazer acreditar que montar um bom time para disputar o Estadual é investir fortunas. Não é! O Metropolitano está aí para provar que dá para fazer um time barato e competitivo. O que é absolutamente injustificável é não ficar entre os quatro primeiros de um campeonato que tem apenas 10 times (sendo 5 quase amadores). E pior: em 16 anos de continuismo, ficamos entre os quatro primeiros apenas 5 vezes (2005, 2009, 2010, 2012 e 2013). Nos outros 11 anos, não conseguimos ficar entre os quatro primeiros do Estadual. Se isso não é incompetência...

Vi um pouco do jogo Palmeiras x Bragantino no sábado. Em campo, pelo Bragantino, estavam Caio e Leo Gago. O Bragantino paga quanto por eles? Mas os entendidos do Avaí trouxeram Edinho (1m55cm), renovaram com Eltinho (master) e apostaram em Iuri. O resultado está aí. No fim da história, dá pena é do Marquinhos.

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