Feito crianças mimadas

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Não apenas pelas denúncias de corrupção na FIFA e CBF, mas também pelo esvaziamento de público, o baixo nível técnico nos gramados e a violência dentro e fora dos estádios, a sensação que se tem é de que estamos numa fase de "repensação" do futebol brasileiro. Já vi muitos  momentos estéreis parecidos como esse, então é quase certo que não passará disso, uma sensação.
Acredito que boa parte desses problemas estão relacionados a má gestão dos clubes brasileiros. Os cartolas não são profissionais da administração, mas apaixonados, ou abnegados, ou esforçados, ou vaidosos, ou tudo isso somado em pessoas que movimentam as paixões de milhões de torcedores e, claro, bilhões de reais. E se há uma área em que pecam, essa é a da disciplina.
Após pegar 10 jogos de suspensão por agressão a um companheiro de profissão no ano passado, a ausência de Marquinhos foi uma das razões para a péssima campanha do Avaí no Campeonato Catarinense desse ano. Não satisfeito, o cabaço loiro acaba de ser penalizado com três jogos pela joelhada dada no primeiro clássico pela Copa do Brasil, agorinha há pouco na Ressacada.
Eduardo Costa também tomou suspensão pelo mesmo clássico de 2014 e agora, no segundo clássico pela Copa do Brasil, resolveu dar um soco no técnico Argel e fará o Avaí arcar com mais cinco jogos sem a sua presença. Presença muito rara em 2015, diga-se de passagem.
Entretanto, a direção azurra já declarou que não pretende aplicar nenhuma medida disciplinar aos dois atletas brigões e irresponsáveis. No caso de Eduardo Costa, muito pelo contrário, todo apoio lhe será dado, visto que para o clube houve excesso, sim, "mas que pode ter sido motivado pelas provocações do comandante rival". Esse último trecho grifado está aqui no Globo Esporte.
Não apenas no Avaí, mas também no Avaí os boleiros são tratados como crianças mimadas. Para compensar o paternalismo, depois virão com campanhas de paz nos estádios, camiseta com mãos se cumprimentando, setores com torcida mista, enfim, toda aquela perfumaria barata que serve apenas para fazer de conta que estão engajados por um futebol melhor. Foto de Daniela Lameira / Site STJD

4 comentários:

Sandro Azevedo disse...

Lamentável!
Na terceira divisão da Inglaterra, tem clube com lista de punições estampada no vestiário. Chegar atrasado, penalidade "X"; Ser expulso indevidamente, penalidade "X" e assim por diante. No Brasil, o atleta bate, capota veículo, briga com a polícia militar, vai preso e o que o dirigente faz? O coloca debaixo do braço e o perdoa feito um filho mimado!!

E dá-lhe campanha de sócio para angariar recursos, pois do jeito que o Avai tem sido punido financeiramente, precisamos ter uns 20 mil adimplentes por mês.....Citados dos atletas, tão inocentes e vítimas do sistema opressor.

Leonardo Dutra Guedes disse...

Texto perfeito!! Tu escreve exatamente o que eu penso, parabéns

Sergio Nativo disse...

Questão de justiça. As punições a instituição Avaí, seus jogadores e técnico seria normal se do outro lado ocorresse o mesmo. Mas é revoltante ver o que a torcida adversaria, maqueiro, técnico, jogadores e aquele masculino sempre presente em paginas policiais( França) fazem em campo e sofrem penas minimas ou nem serem citados pelos auditores dos tribunais ou MP. Que justiça é essa que dizem estarem praticando? Sera que voltamos ao tempo da inquisição?

George Porto disse...

Finalmente alguém sabendo separar o ídolo do moleque. Parabéns e o Avaí tem que parar de dar chupeta para os irresponsáveis do time!

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