O pequeno Brasil de Dunga vai ao divã

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Por Xico Sá, colunista do El País - (...) A despedida brasileira, na primeira partida de mata-mata depois da tragédia dos 7x1 para a Alemanha, revela cabalísticos sete erros:
1) Fora de campo, o técnico Dunga pisou na bola, na véspera da partida, ao misturar na mesma frase a intenção do politicamente correto e um gesto de racismo: “Acho que sou afrodescendente, gosto de apanhar”. Em um país com forte herança escravagista e de uma seleção brasileira historicamente negra, a frase foi um desastre, para dizer o mínimo. O que diria o cronista Mario Filho, autor do clássico nacional “O negro no futebol brasileiro”?
2) Dentro da cancha, um treinador sem imaginação ou capacidade de sair da sinuca paraguaia. Quem pensa mal, treina mal. É preciso sim saber usar as palavras. Não pode ser um “sem noção”, como dizemos aqui nos trópicos.
3) A CBF não quis aprender nada com o 7x1. Simplesmente ignorou, sob a ilusão de que o fracasso na Copa 2014 teria sido um fato surreal e isolado.
4) Se o futebol canarinho perdeu relevância no mundo, é triste saber que está abaixo também das seleções da América Latina. O fim de um “império”. Ninguém teme mais a camisa amarela.
5) Em nome da falsa mística que temos que jogar “sério”, o Brasil não sorrir mais em campo. Tudo bem não ser um time de chorões, mas essa cara dura, com exceção de Robinho, revela que a garotada não se diverte mais com o jogo. Oswald de Andrade, um dos maiores escritores brasileiros, em seu manifesto antropofágico, já dizia: “A alegria é a prova dos nove”.
6) José Maria Marin, ex-presidente da CBF está preso na Suíça; Del Nero, o atual, teme até sair de casa, e manteve distância da equipe na Copa América, com medo de ser detido. A turma do “Bom Senso F.C.”, grupo de atletas que repensa o futebol brasileiro, precisa ser ouvida mais seriamente.
7) O 7x1 não serviu de quase nada. Que esta melancólica despedida de hoje, com um técnico sem imaginação que serve apenas para tolher o pouco talento que nos resta e a ideia de se divertir em campo, sirva para alguma coisa. O samba está no divã. Que volte no melhor dos rebolados.

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