Um raro gesto de respeito no futebol

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Não era boato, o Avaí realmente recebeu uma proposta de R$ 700 mil para transferir a partida com o Fluminense para o estádio Mané Garrincha, a fim de tornar a estreia de Ronaldinho um evento mais abrilhantado. Também é verdade que Nilton Macedo e seu staff cogitaram vender o jogo, mas sobre terem apresentado uma contra proposta mais salgada ao tricolor, há quem afirme, sem certeza.
De qualquer maneira, a direção azurra finalizou as negociações privilegiando o seu torcedor, numa nota publicada em todas as suas redes sociais, dizendo que vendeu o evento para os 15 mil que espera estarem presentes nessa mesma partida, agora confirmada para a Ressacada.
Não é algo com que o maltratado e sempre usável torcedor brasileiro esteja acostumado, tanto que muitos avaianos não "conseguem aceitar" um ato até óbvio de respeito aos acordos firmados, e já se cobram de si mesmos e de outros, a presença no estádio, o associativismo imediato, a compra de material licenciado etc. "Eu não mereço. É muito. Tenho que devolver". É Freud na veia.
O clube também acertou por não se colocar em mais uma saia justa nessa série A. Se já não caiu nada bem Nilton Macedo voltar atrás em sua promessa de não mexer nos preços para o campeonato, majorando valores de ingressos e associativismo em até 100% para os novos sócios-torcedores uma semana antes da estreia, vender uma partida agora seria jogar por água abaixo a relação com os atuais fiéis  de carteirinha e toda a campanha de chamamento para o fã avulso.
Após esse erro, que se somou ao lançamento gourmet da nova camisa em um cinema exclusivo para 300 convidados, não se esperava outra coisa dos dirigentes. Por isso, e merecidamente, pela segunda vez em menos de um mês o clube é manchete em portais nacionais (primeiro com a ação de inclusão de haitianos) e consegue algo muito importante, o respeito instantâneo do seu torcedor.
Digo instantâneo porque essa é uma planta que precisa ser regada, mantida em ambiente saudável de continuidade, sob pena de se retornar para a relação fria que normalmente norteia a relação entre os clubes de futebol e os torcedores brasileiros: "Eu baixo preço aqui e você volta para o estádio acolá, mas sem muito envolvimento". E isso, como todos sabemos, nunca deu certo.
Que o diga o ano de 2010, quando os homens de negócios (?) do Avaí elevaram os preços da Ressacada para padrões acima daqueles praticados na Europa, estrago que até hoje se procura consertar. Às vezes com dois passos para frente e um para trás, mas com mais esforço e menos esganação do que em nos últimos anos. Parabéns, ontem fizeram isso bem feito. Foto Cristiano Estrela

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